terça-feira, 25 de novembro de 2014

Poetas do Cariri cearense - L


      Juazeiro é o teu nome 

Juazeiro é o teu nome. 
Um marco, uma história, uma vida.
A pátria da paz, da fé e do amor.
Zona verde, viva e brilhante.
Es a lembrança nunca esquecida,
Infinita nos teus caminhos, 
Resplandecente na tua glória.
O santuário da fé!

Dia do teu aniversário,
O hoje da tua glória maior.

No Vale do Cariri 
Onde nasceste, vives e cresces,
Reinas altiva, porém humilde, 
Tomando o exemplo 
E o ideal do teu criador, Padre Cícero!
                                                            
                           Ludmila Mendonça


              
          E o Homem, onde está?

Cadê o homem que devastou a floresta,
o meu coração e partiu?
Cadê os lobos que de um só pulo assustaram,
protegeram e saíram?
Cadê os meninos, amigos das meninas,
que brincaram de roda, soltaram um sorriso
e depois fugiram?
Cadê a alma que, em devaneios, foi conversar
com os pássaros, com as borboletas
e se foi?
O bom seria que pudéssemos reter
o homem, o lobo, os meninos e as meninas,
a alma dos seres,
e fazermos da nossa tenda
um habitat iluminado onde, em círculo,
todos sofreriam, mas brincariam,
entoariam o canto das águas,
ensaiariam a dança sagrada
e colocariam o Universo todo na palma de suas mãos.

                                  Liduína Belchior

Poetas do Cariri cearense - M


            Minha estrela

No céu, uma grande estrela
todas as noites brilha mais.
Penso nela,
aprecio sua beleza!
E ela me traz
uma alegria imensa,
pois a ela confesso
tudo o que dentro do peito guardo,
sem a ninguém jamais
ter confessado, jamais.

Ela me entende tão bem!
Me acalma, me fala em silêncio,
me inspira, me faz sempre a noite
passar para o papel aquilo que penso
então, escrevo até altas horas,
quando meu sono vai embora,
e volto à minha estrela olhar.
O seu brilho cada vez mais intenso
alimenta o meu desejo de amar e ser amada.

               Maria Iêda Coimbra Castelo Branco



                    Voa... 

Abre também a tua porta, abre...
Abre e deixa o vento entrar.
Deixa a brisa se instalar,
Deixa o corpo abençoar,
E as lágrimas poderem secar.
Deixa...

Abre de vez a tua porta, abre...
Sem chaves e nem fronteiras.
Sem grades e nem cadeados.
Abre e deixa o sol entrar.
Deixa os raios te tocarem,
Deixa o corpo enternecer
E não te fazer adormecer.
Deixa...

Aceita a porção mágica do tempo...
O desenrolar dos dias e das horas.
O rumo de todos os mundos.
O voo das grandes gaivotas.
Os pássaros voltam sim pros seus ninhos,
Mas só pra alimentar e fazer voar.
E, depois, um ciclo poder fechar.

Deixa, então, os ninhos dos passarinhos.
Não faz dele o teu ninho.
Faz do teu peito apenas abrigo e
a liberdade de todos os ventos.
Então voa... Desperta!

Abre um novo caminho.
É sempre um novo dia e um novo momento.
E aí, na mesma direção dos ventos,
Tu vais poder se encontrar sem mais nenhum tormento.


                             Mara Thiers

Poetas do Cariri cearense - M

     

            Duas janelas 

Permanentemente abertas
minhas duas janelas:
A da alma
A do coração.
Me debruço nelas.
A da alma, à noite,
para ver as estrelas, admirá-las.
Também a lua, quando surge bela,
clareando a noite,
escondendo a escuridão.

Enquanto me encanto
com tanta beleza, esfuziante
da lua, das estrelas,
a outra janela aberta
é iluminada tanto!...
Fica fascinada, alerta,
me faz mandar mensagens,
contar meus segredos
e continuo debruçada
na janela do coração.

        Maria Ieda Coimbra Castelo Branco
  


                Meus sonhos

Tive sonhos também. Na mocidade,
Como todos, sonhei doce quimera.
E esses sonhos, que hoje são saudade,
Fizeram-me feliz, na primavera.

Foram fogos de lágrima, meus sonhos,
No espaço azul da minha fantasia.
Subiram, acenderam-se risonhos,
E, caindo, fizeram-se agonia.

Cada foguete luminoso, agora,
É u’a lágrima que minh’alma chora
No vazio da minha solidão.

Hoje, meus sonhos são cruéis dilemas:
Servem de assunto para os meus poemas,
Mas... esmagam de dor meu coração!...


               Maria Júlia Limaverde

Poetas do Cariri cearense - T


          Perfeição

Busco-te...Oh! Perfeição
em todos os momentos
de lucidez retida nas fibras
da minha insana memória.
Busco-te... no fluxo
de sangue inebriado
de eterna paixão,
dissolvendo os coágulos
da última embriaguez,
aprofundo-me no amor
e reescrevo minha história.
Oh!!!! Ânsia Divina!!!!
Prazer latente de uma alma
Casta...Pura...Virginal...
Me transforma em mulher,
inocente, criança, menina,
Na boca a cor dos sons,
No corpo o sabor quente
da luz matinal.
Sou beleza, vida e realidade,
Sou Pureza, luz e liberdade.

            Tânia Melo do Amaral



             Encantamento

És a estrela que espero
na noite que se aproxima,
tirando-me da solidão,
afastando a saudade
das horas que nos separam.
Encontrando-te,
caio em teus braços,
sentindo o gosto do teu beijo.
Deitada em teu colo ardente,
embriago-me de sonhos e fantasias,
amando-te como a uma estrela
que é só luz
irradiando minha vida
outra vez.

         
      Tereza Vieira

Poetas do Cariri cearense - S


   
             Mamãe

Outrora, pura vivacidade.
Agora, fragilidade.
Doente, velhinha... Contando os dias  
                                em sua viagem regressiva.

E eu, que (dizem) tenho todas as respostas,
Agora só sou a pergunta:
- até quando.... quando...

              Socorro Cavalachy



               Poema em ocre 

A cor me transporta para a forma
Forma uma realidade nova
Uma nova pessoa
Que brinca de lembrar
E pinta o sete, nos sonhos de inverno
Acho que depois da chuva
Toda alegria se inunda...
As tristezas viram pó
E o eco, no deserto,
Avisa que estamos sós.


             Socorro Moreira    

Poetas do Cariri cearense - M



                   Eu sou...

Ah se eu conhecesse todas as estações...
Eu poderia ser a primavera... Ah, quem dera!
E aí, eu seria um buquê de rosas.
Eu seria BOTÕES DE ROSAS.

Sou sol, girassol, sou beira de mar, cerveja gelada...
Sou verão!
Sou teimosia, sou alegria, fotografia, sou boêmia.
Sou dia e noite, sou céu, sou meia-noite.
Sou balanço de rede, sou sonho, sou sono e ressono.

Sou lua, sou tua, sou meia lua... Sou todas as luas!
Sou noites de estrelas. Sou ciúme, sou perfume. Não sou legume.
Sou manga no almoço, azeitona com caroço...
Sou arte, desenhos e pinturas,
Eu sou poesia.
Sou café com pão, sou feijão, macarrão e requeijão.

Sou castanha e amendoim. Quanto mais, nada ruim.
Sou mungunzá, sou feijoada, roda de amigos, sou luarada!
Sou Maresia... Casa de Bia.
Sou churrasco, um bom papo e um bom espaço.
Sou barzinho aconchegante, um local mais elegante.
Nada extravagante.

Sou violão, emoção, eu sou música. Sou paixão!
Sou canção dos ventos, sou vários pensamentos.
Tempos atrás, apenas fragmentos.
Sou um Ser em aperfeiçoamento.
Sou caranguejo da Marulho, o alto astral também.

Sou o salgado mais que o doce, comida de panela disparado.
Sou mês de dezembro, sou Janeiro; eu sou Julho.
Sou água que jorra das cachoeiras, sou bandeira da PAZ!
Também sou guerra! Sou minha terra, Juazeiro.
Sou leonina, menina traquina, cristalina...
Sou Cora Coralina; Mario Quintana e muitos outros.
Sou alguém que ama e que chora; que se apaixona e se emociona!

Sou lua, sou tua, sou lua cheia. Eu não sou de veia.
Sou também um pouco de você. Pode crer!
Sou Lana, sou Mara, sou Magali... Bem aqui.
Sou ninguém, sou alguém, sou pronome.
Sou cognome. Eu sou um Nome.
Sou ninguém, EU sou alguém, SOU sobrenome.
Eu SOU UM NOME.
Sou carnaval, sem igual... Etc. coisa e tal.


                            
Mara Thiers



               Entrelinhas

Que se passa?
Paixão, amor ou atração?
É um não sei quê de olhares falados
no momento exato de palavras mudas.
É um simples gesto calculado.
Para mim, significativo.
Para os outros, complicado.
É o teu pensamento transpondo
em telepatia o meu pensar.
Que é que há?
É o efeito de um conto de fadas?
Ou a beleza que enleva as barreiras,
transformando em amor de deuses sem penar?
Até no céu de azul cinzento,
vemos nuvens multicores.
E, em carícias subentendidas,
nos deixamos embalar.
Então, que nome se dá?
Dois seres...
Para um só amor cativar.


       Maria Aldênia de Oliveira Batista

Poetas do Cariri cearense - L



        Idas e vindas

Amores vão
Amores vêm
Beijos se dão
Abraços retêm

O coração chora
A alma se reabilita
O ego se apavora
Mas a mente não se agita.

              Liduína Belchior
  


               Estrela guia

Me guia, estrela guia,
por esse caminho sem meio,
que não chega ao fim, por não ter tido começo.
Me guia, estrela guia,
me tira do escuro,
faz sumir meus tantos medos.
É tão linda, estrela guia,
tão clara, tão quanto o dia.
Não me negue, estrela primeira,
sua presença companheira,
seu mais breve brilho de amor.
Venha comigo, estrela guia,
venha comigo aonde eu for.
Mas, se triste estiver,
se fazer feliz a você eu não souber,
corre espaço, companheira,
pois a entendo, respeito-a,
já que é estrela, e eu um tanto borboleta.

                  Luciana Dantas