terça-feira, 19 de agosto de 2014

Literatura folclórica: DITADOS E PROVÉRBIOS (38)



LP CARIRI apresenta aos seus leitores (como também aos colecionadores e estudiosos) MAIS 100 ditados e provérbios. Conheça-os ou relembre-os. Aprecie-os e apreenda os seus ensinamentos. Eles servem até como prática pedagógica para os professores, em sala de aula.

Quem bem ata bem desata
Quem bem está e mal escolhe, por mal que lhe venha, não se anoje.
Quem bem nada não se afoga.
Quem bem vive bem, morre.
Quem bota a carapuça acha que lhe assenta.
Quem brinca com arma de fogo brinca com o cão.
Quem caça e acha não é desgraça.
Quem cala colha, quem fala semeia.
Quem cala confessa.
Quem cala não diz nada.
Quem cala não quer barulho.
Quem cala vence.
Quem caminha por atalhos nunca sai de sobressaltos.
Quem canta seu mal espanta.
Quem carrega é que sabe o peso que pega.
Quem casa com mulher feia não tem medo de outro homem.
Quem casa com mulher magra e feia tem pelanca pro feijão.
Quem casa com mulher rica e feia tem ruim cama e boa mesa.
Quem casa com sapateiro lambe sola o ano inteiro.
Quem casa filha depenado fica.
Quem casa quer casa.
Quem casa quer casa longe da casa em que casa.
Quem cedo dá, dá duas vezes.
Quem cedo se deita e cedo se levanta: doença, pobreza e velhice espanta.
Quem chora seu mal aumenta.
Quem chora seu mal minora.
Quem chora seu mal piora.
Quem com cães se deita,  com pulgas se levanta.
Quem com coxo anda, aprende a mancar.
Quem come calado não perde bocado.
Quem come cantando, morre berrando.
Quem começa e não acaba, pode virar guabiraba.
Quem come de graça é impingem.
Quem come doce caga azedo.
Quem come do meu pirão levado meu cinturão.
Quem come e guarda, duas vezes come.
Quem come fiado, caga maçaroca.
Quem come quente é gavião.
Quem come sem conta, morre sem honra.
Quem come só se engasga.
Quem comeu a carne que roa os ossos.
Quem com farelos se mistura maus cães o comem.
Quem comigo sempre andou, por mim nunca esperou.
Quem com morcegos anda, dorme de cabeça para baixo.
Quem com muitas pedras bole uma lhe dá na cabeça.
Quem com o demo anda com o demo acaba.
Quem com os maus se mistura chora e não canta.
Quem com porcos se mistura farelo come.
Quem compra e mente, na bolsa o sente.
Quem compra fiado paga dobrado.
Quem compra o que não pode, vende o que não quer.
Quem compra o supérfluo, vende o necessário.
Quem compra sem poder, vende sem querer.
Quem consigo só se aconselha, consigo só se arrepende.
Quem conta com o ovo no cu da galinha morre de fome.
Quem conta com seu hóspede, duas vezes conta.
Quem convida dá banquete.
Quem corre atrás de dois, um vai-se embora.
Quem corre com medo não pergunta por caminho.
Quem cuida da vida dos outros se esquece da sua.
Quem dá a papa lambe o dedo.
Quem dá, bem vende, se não é ruim quem recebe.
Quem dá bom exemplo dá bom conselho.
Quem dá esquece, quem apanha lembra.
Quem dá e torna a tomar, no inferno vai parar.
Quem dá e torna a tomar, vira as costas para o mar.
Quem dá nó não perde ponto.
Quem dá o pão dá o castigo.
80. Quem dá o que é seu, sem ele se fica.
Quem dá o que tem a mais não é obrigado.
Quem dá o que tem a pedir vem.
Quem dá se parece com Deus pelas costas.
Quem deixa de ser amigo nunca o foi.
Quem de moço não morre, de velho não escapa.
Quem de moço não varia, de velho se endemonia.
Quem de muito quer saber, mexerico quer fazer.
Quem de noite quer cear, de tarde vai buscar.
Quem depressa se determina, cedo se arrepende.
Quem desdenha quer comprar.
Quem desenforca se enforca.
Quem despreza o pouco não ama o muito.
Quem deve a Deus paga ao diabo.
Quem deve a quem me deve a mim deve.
Quem deve é porque tem crédito.
Quem deve não levanta a cabeça.
Quem deve não tem razão.
Quem deve, ou pague, ou rogue.
Quem diabos compra, diabos vende.
Quem dinheiro tiver fará o que quiser.
Quem diz filho diz tormento.
Quem diz mal do seu, mal calará o alheio.
Quem diz tudo quanto sabe, fica sem saber de nada.
Quem dói o dente, vai à casa do barbeiro.
Quem dorme descansa e deixa descansar.
Quem dorme, dorme-lhe a fazenda.
Quem dorme não peca.
Quem dorme na pipa, amanhece na bica.
Quem duma escapa, cem anos vive.
Quem é besta pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.
Quem é bom já nasce feito.
Quem é bom já nasce feito, quem quer se fazer não pode.

Literatura folclórica: ADIVINHA, ADIVINHÃO - conto


                    Adivinha, adivinhão

Era uma vez um homem que diziam que ele era muito sabido. Mas ele era infeliz nos seus negócios. Ele já estava ficando velho, porém continuava muito pobre como Jó. Um dia, ele pensou muito em melhorar a sua vida. E aí ele resolveu sair pelo mundo, se dizendo ser um adivinhão. E assim fez. Ele arranjou uma trouxa, botou a sua roupa dentro dela e, depois, se largou no mundo.

Depois de andar bem muito, chegou ao palácio de um rei. Lá, pediu licença para dormir. Quando estava jantando, o rei lhe disse que o palácio estava cheio de ladrões astuciosos. Foi aí que o homem se ofereceu para descobrir tudo. O rei então aceitou.

No outro dia, o homem passou do bom e do melhor, só que não descobriu coisa alguma. Na hora de comer, quando o criado trouxe o café, o tal adivinho exclamou, referindo-se ao dia que se passara:

- Um está visto. - e, naquele momento, o criado que lhe servia ficou branco de medo, porque era justamente um dos ladrões.

No dia seguinte, veio outro criado ao anoitecer. E o adivinhão repetiu:

- O segundo está aqui. - e o criado que lhe servia, que também era gatuno, empalideceu-se e atirou-se de joelhos, confessando-lhe tudo. E ainda deu naquela hora o nome do terceiro cúmplice.

Assim, foram todos os três criados presos. E o rei ficou muito satisfeito com as habilidades do adivinho.

Dias depois, por infelicidade, roubaram a coroa do rei. Aí o rei prometeu uma riqueza para quem adivinhasse o ladrão. E o adivinho não perdeu tempo. Reuniu todos os criados numa sala e, lá dentro com eles, cobriu um galo com uma toalha. Depois, explicou que todos deviam passar a mão nas costas do galo. Aí, cada vez que alguém ia meter o braço debaixo da toalha, o adivinho fazia piruetas e dizia alto:

- Adivinha, adivinhão, a mão do ladrão.

Depois que todos eles acabaram de fazer o serviço, o adivinho pediu que cada um mostrasse a palma da mão que havia tocado no galo. Dois homens estavam com as mãos limpas. Os demais, sujos de fuligem.

- Prendam esses dois, gritou o adivinho, que são eles os ladrões da coroa.

Os homens foram presos. E, por sorte dele, eram eles mesmos os ladrões. Assim, a coroa foi achada. E o adivinho explicou a manobra ao rei. O galo estava coberto da sujeira de carvão de uma panela. Por isso, deixava preta a mão de quem lhe tocasse nas costas. E os dois ladrões, que não quiseram arriscar a sorte, fingiram apenas que passaram a mão na panela, ficando com as mãos limpas.

Por causa de sua astúcia, o rei deu muito dinheiro ao adivinhão. E ele voltou rico para a sua terra.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Literatura folclórica: NÃO DESISTA - poema


                   Não desista

Quando as coisas dão errado,
como às vezes acontece.
Quando o caminho que você percorre,
parecer íngreme.
Quando os recursos são poucos,
e as dívidas muitas.
E você quer sorrir, mas tem de suspirar.

Quando as preocupações o desanimar,
descanse, se precisar, mas não desista.
A vida é estranha com suas reviravoltas.
É o que cada um de nós, às vezes, aprende.
E muitos fracassos acontecem
quando poderíamos ter vencido,
se tivéssemos persistido.

Não desista,
embora a caminhada pareça lenta.
Você pode conseguir
em uma nova tentativa.
O sucesso é o fracasso pelo avesso.
O matiz prateado das nuvens da dúvida.
E você nunca sabe se já está muito perto.

Ele pode estar perto,
embora pareça distante.
Persista, portanto, na luta
quanto mais você for atingido,
quanto mais escurecer ao seu redor.
Quando as coisas parecerem piores,
é que você não deverá DESISTIR.

Literatura folclórica: COMPARAÇÕES (7)


Apertado que nem rato acuado pelo gato.
Atrapalhado que nem cego em tiroteio.
Baixo que nem voo de marreca choca.
Comprido que nem pau de virar tripa.
Curto que nem coice de porco.
Desligado que nem rádio de surdo.
Escondido que nem agulha em palheiro.
Estropiado que nem chapéu de bêbado.
Fala mais que papagaio de manicure.
Liso que nem pau de barraca.
Liso que nem toca de cobra.
Mais apertado que cu de sapo.
Mais chato que chinelo de gordo.
Mais cheiroso que nem malota de barbeiro.
Mais comprido que xingada de gago.
Mais duro que beira de sino.
Mais duro que pau de tarado.
Mais enfeitado que jumento de cigano.
Mais enfeitado que penteadeira de puta.
Mais escondido que cabelo de freira.
Mais folgado que calça de palhaço.
Mais folgado que palito em boca de banguelo.
Mais melado que poleiro de pato.
Mais perdido que surdo em bingo.
Mais por fora que bunda de índio.
Mais por fora que umbigo de vedete.
Mais quebrado que arroz de terceira.
Mais sujo que chão de oficina mecânica.
Perdido que nem cachorro caído da mudança.

Sem graça que nem pitada ao vento.

domingo, 17 de agosto de 2014

FLOR POÉTICA e SAUDADE (Dantas de Sousa) - poemas

Clique sobre a gravura e leia o poema em ZOOOMMM!!!




















BRINCAR COM PALAVRAS (Monorrimos, Polirrimos, Brancos ou Soltos)


Rima é a identidade ou semelhanças de sons no final, ou no interior dos versos. Quanto à rima, os versos podem ser:


MONORRIMOS
são os versos que apresentam uma só rima. São chamadas de “rimas continuadas”.


O cheiro do teu corpo me traz
um pequeno momento de paz.
Por isso, eu me sinto até capaz
de voltar ao meu tempo de rapaz.


♪♪♪♪♪


Na janela de Estela, ninguém para.  
Até a planta amarela dela já se foi.
Por não ser bela, Estela, coitada, não acha
sequer uma costela para se casar com ela.



POLIRRIMOS
são os versos que apresentam mais de uma rima.


No dia em que você me ver bebendo
a sós,  sentado na mesa de um bar,
deixe-me, porque estarei esquecendo
a dor de não aprender a amar.
  


BRANCOS ou SOLTOS
são os versos sem rima.


             Duas faces de mim
        
Se algum dia você me encontrar
chorando, saiba que minha dor
é uma esfinge a sofrer calada
em meio a uma tempestade.

Meu caminho é aquele triste hino,
cantarolado numa estrada erma
por um menino mendigo, sem rumo,
de vida marcada pelo destino cego.

                      Dantas de Sousa

sábado, 16 de agosto de 2014

Literatura folclórica: ADIVINHAS (15)


Cintura fina, perna alongada. Toca corneta e leva bofetada. (pernilongo, muriçoca)

Destrói tudo com três letras. (FIM)

Na tem olhos, mas pisca. Não tem boca, mas comanda. (o semáforo)

Não tem pé e corre. Tem leito e não dorme. Quando para, morre. (o rio)

Onde o boi consegue passar, mas o mosquito fica preso. (teia de aranha)

Qual o castelo que nem rei nem rainha mora. (castelo de areia)

Quanto mais tiro mais tenho. (fotografia)

Quem é que morre em pé. (vela)

Quem num instante se quebra se alguém diz o nome dele. (silêncio)

Tem cinco dedos, mas não tem unha. (luva)

Tem no pomar e no seu paletó. (manga)

Tenho forma redonda, porém nenhum rio do mundo pode me encher. (peneira)

Verde, mas não é capim. Branco, mas não é algodão. Vermelho, as não é sangue. Preto, mas não é carvão. (melancia)

Verde, mas não é planta. Fala, mas não é gente. (papagaio)