quinta-feira, 30 de outubro de 2014

POEMAS (Socorro Moreira e Tânia Melo do Amaral)


           Poema em ocre 

A cor me transporta para a forma
Forma uma realidade nova
Uma nova pessoa
Que brinca de lembrar
E pinta o sete, nos sonhos de inverno
Acho que depois da chuva
Toda alegria se inunda...
As tristezas viram pó
E o eco, no deserto,
Avisa que estamos sós.

             Socorro Moreira                      


              Perfeição

Busco-te...Oh! Perfeição
em todos os momentos
de lucidez retida nas fibras
da minha insana memória.
Busco-te... no fluxo
de sangue inebriado
de eterna paixão,
dissolvendo os coágulos
da última embriaguez,
aprofundo-me no amor
e reescrevo minha história.
Oh!!!! Ânsia Divina!!!!
Prazer latente de uma alma
Casta...Pura...Virginal...
Me transforma em mulher,
inocente, criança, menina,
Na boca a cor dos sons,
No corpo o sabor quente
da luz matinal.
Sou beleza, vida e realidade,
Sou Pureza, luz e liberdade.

        Tânia Melo do Amaral

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

POEMAS (Ackson Dantas e Clécio Lavor Farias)


              A vedete no pasto

Eu cá
Pensando com os botões
Vejo as inversões silenciosas
Na caverna fama
Na exposição da celebrada vida minha
Para a ofegante corrida do simplório
Posto
self de tudo
Sou vedete da hora
O palhaço do circo
Divirto e gargalho
No afã do espetáculo
Nem a tragédia escapa
Sim senhor eu clico
E replico
Multiplico a legião
Dos bobos que me seguem
Ora não neguem
Sigam-me como sempre
Pois é no caminho do matadouro
Que o gado se encontra
Sou celebridade solvente
Será que me entende
Então não se sente
Só pense...
O pasto amarelou...

              Ackson Dantas


              Amor poente

Onde alocar esta nova moça,
em que parte deste coração
escarrificado e derruído,
a não ser no estranho canto
à jusante do miocárdio,
obscuro canto que ficou intacto
e sobreviveu incólume
às diuturnas paixões vagabundas
que habitaram e ofenderam
este velho órgão,
pobre albergue de mais nenhuma serventia,
habitat de poeira e teias
do que foi alvoroços...
Onde alocar esta nova moça, meu Deus?
Eu não estou preparado
para os lustres exigentes
deste amor poente.

                Clécio Lavor Farias

Semente e tijolos (Cícero de Tarso Dantas) - ensaio


Ao sentir a primeira manifestação da sua mente criadora, despiu sua condição animal e tornou-se, inevitavelmente, criatura reconhecida em si mesma. Expulso do paradisíaco útero animal, quando efetuou sua primeira escolha, foi tangido pela natureza como um novo ser diferenciado: Criador, como espelho do em si se fazer construção. Criatura, para se relacionar com o que do mundo lhe interpenetrava.
       
A terra-mãe criadora destitui-lhe o direito de ser filho do divino. Entretanto, nunca lhe fora negada sua selênica paz, mesmo que, através da leitura de novos paradigmas, o que acontecera foi a sua passagem do primitivo e institual símio ao sapiens inventor cultural.

Trazendo na sua inconsciência original o instinto da sobrevivência, uniu-se a outros semelhantes a ele. A partir de então, eles criaram mitos e ritos, delimitaram territórios e, com sucesso, transmitiram seus conhecimentos. Criaram um novo destino, à medida que se transformavam.

Como animais humanizados, mantiveram hábitos e ideais construtores. E proibiram práticas destrutivas, mesmo que alguns, sem medo da transgressão e do castigo advindo aos outros, cometessem graves erros que provocariam a morte e a desgraça do próximo. Além do mais, alimentaram e embasaram o sonho de uma babel civilizatória, impondo justificadamente a dominação e a posse indevida como arquiteta dessa monumental obra.

Em razão dessa ciência construtora, que era ereta em nome do mais nobre ideal, escravizaram os mais fracos, dominaram e exploraram desvalidos e marginalizaram quem discordava das suas decisões.

Não foram castigados por deuses, logo que, por eles, o homem não fora criado. No entanto, castigados por si mesmos, tornaram-se sísifos da própria construção inacabável...

Maior que o engano de ontem é o erro perpetrado no agora. A humanidade agoniza em meio ao caos gerado no presente. Ilhados pela individualidade discriminante, desnorteados por comandos ideológicos, perderam a razão da vida. Na realidade, desprezaram a encarnação da humanidade e do seu corpo místico: substantivo abstrato e coletivo da espécie.

                              Cícero de Tarso Dantas

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Literatura folclórica: DITADOS E PROVÉRBIOS (40)



LP CARIRI apresenta aos seus leitores (como também aos colecionadores e estudiosos) MAIS 100 ditados e provérbios. Conheça-os ou relembre-os. Aprecie-os e apreenda os seus ensinamentos. Eles servem até como prática pedagógica para os professores, em sala de aula.

Quem é cambaio não estira o pé.
Quem é cativo não ama.
Quem é cativo não bota o couro de molho.
Quem é coxo parte cedo.
Quem é desconfiado mora na ponta da rua.
Quem é do chão não trepa.
Quem é do mar não enjoa.
Quem é fácil de contentar menos tem que chorar.
Quem é feio volta pelo caminho que veio.
Quem em casa da mãe não atura na da madrasta não espere ventura.
Quem é moço tem o couro grosso.
Quem empresta dinheiro perde o amigo e o dinheiro.
Quem encomendou o sermão que o pague.
Quem engana os outros é judeu.
Quem é o teu inimigo é o oficial do teu ofício.
Quem é quebrado carrega funda.
Quem é rico tem amigos.
Quem erra e se emenda a Deus se encomenda.
Quem escuta de si ouve.
Quem é só é senhor de si.
Quem espera alcança.
Quem espera cansa.
Quem espera cansa, mas quem cansa alcança.
Quem espera da mão alheia mal janta e pior ceia.
Quem espera desespera.
Quem espera por sapato de defunto toda a vida anda descalço.
Quem espera sempre alcança.
Quem esperneia não mora no lugar.
Quem espirra não morre.
Quem está bem deixe-se estar.
Quem está com fome não escuta conselhos.
Quem está de barriga cheia não faz greve.
Quem está de fora joga melhor.
Quem está de fora toma tabaco.
Quem está de fora vê melhor.
Quem está na chuva é para se molhar.
Quem está no bom está calado.
Quem está no bom está calado; quem está no ruim está danado.
Quem está no ruim está danado.
Quem está trabalhando a Deus está se encomendado.
Quem é surdo traz pajem.
Quem é torto e mal se ajeita, tarde ou nunca se endireita.
Quem eu quero não me quer, quem me quer não me convém.
Quem é vivo sempre aparece.
Quem fala assim não fala fanhoso.
Quem fala muito dá bom dia a cavalo.
Quem fala muito em honra está precisando dela.
Quem fala paga.
Quem fala planta, quem escuta colhe.
Quem fala só fala com o diabo.
Quem faz a casa na praça, uns acham que é alta e outros que é baixa.
Quem faz aqui acha acolá.
Quem faz casa ou se casa a bolsa lhe fica rasa.
Quem faz do direito torto não serve pra governar.
Quem faz gosto a macho é barbeiro.
Quem faz gosto a macho é barbeiro, que alisa o freguês na cara, passa o pente e bota cheiro.
Quem faz neste mundo aqui mesmo paga.
Quem faz o bom cavaloe o cavaleiro.
Quem faz o mal espere outro tal.
Quem faz o mau pagador é o ruim cobrador.
Quem faz o que pode faz o que deve.
Quem faz procurador faz senhor.
Quem faz pros outros Deus na envida.
Quem faz sua viagem sabe pra onde vai.
Quem faz uma vez faz duas e três.
Quem faz seu angu que o coma.
Quem ficou de vir e vem não tarda. 
Quem foge não diz pra onde vai.
Quem foi molhado de chuva não tem medo de sereno.
Quem foi mordido de cobra tem medo até de minhoca.
Quem ficou de vir e vem não tarda. 
Quem foge não diz pra onde vai.
Quem foi molhado de chuva não tem medo de sereno.
Quem foi mordido de cobra tem medo até de minhoca.
Quem foi rei não perde a majestade.
Quem foi ruim não deixa de ser.
Quem for podre que se quebre.
Quem gaba a noiva é o noivo.
Quem gaba o buraco é o tatu.
Quem gaba o toco é a coruja.
Quem ganha alguma coisa não perde coisa alguma.
Quem ganha deitado é mulher.
Quem gasta mais do que tem a pedir vem.
Quem gasta mais do que tem mostra que siso não tem.
Quem gasta o que tem é cristão, quem gasta o que não tem é ladrão.
Quem geme é quem sente a dor.
Quem gosta de velho é fundo de rede.
Quem gosta de velho é reumatismo.
Quem gosta torna.
Quem gosta torna e quem torna choca.
Quem graças faz graças merece.
Quem guarda acha.
Quem guarda acha, nem que seja um peido na cabaça.
Quem guarda com fome o gato come.
Quem herda não furta.
Quem já deu não tem pra dar.
Quem já viu não se admira e quem nunca viu não sabe o que é.
Quem joga joga, e quem não joga ginga..
Quem jogou, pediu, furtou, jogará, pedirá, furtará.

Quem junta pra si poupa pros outros.

domingo, 21 de setembro de 2014

MUDOU DE ASSUNTO - diálogo / significado de palavras


Dois amigos conversavam. De repente, um mudou de assunto:

- Na conjuntura (circunstância) atual, aumentaram os casos de violência urbana e de corrupção no meio político partidário. Bem diferente da época dos militares no poder. Naquela conjuntura (oportunidade) éramos felizes e não sabíamos. Chega, não podemos mais suportar conjuntura (situação) tão difícil como esta em que estamos vivendo atualmente.

- Você enlouqueceu, cara. Não se atenha a conjeturas (suposições), vá ler mais para não se valer desses argumentos imprecisos. Eu que lhe digo: chega. Se ficarmos nas conjeturas (hipóteses), a nada chegaremos de modo real, objetivo.   

- Mas, insisto. É preciso que saibamos discriminar (distinguir) o bem do mal. Eu, na verdade, não consigo discriminar (discernir) os pensamentos dessa sociedade brasileira atual. Veja bem, a Justiça brasileira chega a descriminar (inocentar) políticos corruptos. E, pior ainda, muitos eleitores, sem um pingo de pudor, descriminam (tiram a culpa) desses tais políticos corruptos, votando neles. Para falar a verdade, eu deixei de ser aquele expectador (que tinha expectativa, tinha esperança) de um futuro político brasileiro cada vez mais promissor, para me tornar somente um cidadão espectador (que assiste a um espetáculo) de um teatro eleitoral brasileiro . Irei até o local da votação, porém votarei nulo, já que sou partidário do voto facultativo.

- Cara, eu estou extático (admirado, pasmado) com essas suas ideias.   


- E eu, meu caro, estou estático (firme) no meu modo de pensar. 

BRINCAR COM PALAVRAS (Monóstico e Dístico)


ESTROFE - verso ou agrupamento de versos, os quais formam uma unidade rítmica e psicológica, indicada por uma pausa de duração máxima. Em relação à composição ou forma, pode ser:


MONÓSTICO - estrofe de 1 verso.


                          Um nome só

Noturnos pensamentos meus são aves
de arribação, em busca de alimento.
Vão do céu à terra, voando no vagar
do universo íntimo, entre estrelas de sonhos.

O nome da amada é que me unifica o pensar.

                               Dantas de Sousa



DÍSTICO (ou parelha) - estrofe de 2 versos.


                     Amor repousante

Triste indigente é aquele solitário ser
que, com fome de amor, não dorme.

Mas de que serve um vazio estômago
de quem não tem apetite para o amor?

Dormir saciado de amor só para aqueles
que não se tornam indigentes de amor.


                               Dantas de Sousa