segunda-feira, 30 de março de 2015

quinta-feira, 26 de março de 2015

LP - DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO (14)


No século XVI, com o aparecimento das primeiras gramáticas, definem-se a morfologia e a sintaxe. A língua, então, entra na sua fase moderna. 

 


A partir da segunda metade do século XVI, a língua poética do português passa a obedecer a determinadas regras, às quais ainda se submete em nossos dias.

 


Foi Camões o primeiro poeta da língua portuguesa que submeteu o contar das sílabas dos versos às leis que hoje se observam.

 


Exemplos de mudanças na DESINÊNCIA MODO-TEMPORAL (DMT) de formas verbais, alterando, assim, a conjugação:

caEr > caIr
cingEr > cingIr
confondEr > confundIr
corregEr > corrigIr
enquerEr > inquirIr
espargEr > aspergIr
fingEr > fingIr
tingEr > tingIr
traEr > traIr


Alguns exemplos de:
PORTUGUÊS DE ANTES
PORTUGUÊS ATUAL


ás 4 horas                            
às 4 horas


ás claras, ás avessas, ás escondidas     
às claras, às avessas, às escondidas


aos cinco capítulos                    
no capítulo quinto


aos sete de abril                 
a sete de abril / em sete de abril


hum cavalleiro                            
um cavaleiro


toda parte há h mao caminho
em toda a parte há um mau caminho.


queria hir beber                   
queria ir beber


"Fazem maas obras, porque all dizem com as linguoas e all teem nos sseus coraçõoes."

"Fazem más obras, porque uma coisa dizem com as línguas e uma coisa têm nos seus corações."



“Grande mal, he não sarar com os remedios, mas adoecer dos remedios ainda he mal mayor.”

“Grande mal é não sarar com os remédios, mas adoecer dos remédios ainda é um mal maior.”

segunda-feira, 16 de março de 2015

Leitura para Lazer (Dantas de Sousa) - ideia

  
                              Leitura para lazer

Muitos indivíduos acham a leitura de textos escritos um porre, ou algo chato de se fazer. Sentarem-se em silêncio, concentrarem-se para decifrar certa quantidade de letras e de sinais gráficos, isso chega, para esses, algo desinteressante, sobretudo diante do  encantamento  e da facilidade apresentados pelo mundo do audiovisual. E no caso de um aluno - na maioria das vezes, obrigado a ler o livro escolhido por seu professor, um sujeito “mais elevado” na leitura do que ele. E, em seguida, ser avaliado por esse mesmo professor com sua maneira própria de julgamento, e o qual lhe atribui um certo valor numérico ou conceito.

No entanto, quando o indivíduo percebe a leitura de textos escritos como LAZER, aí a coisa muda. Tanto isso é verdadeiro uma vez que ocorre nele uma transformação educativa. Descobre ele, pois, ser a leitura uma diversão. Tal qual cinema, televisão, rádio. Uma diversão que, como qualquer outra, descontrai, descansa, relaxa. Além do mais, a leitura de textos escritos é lazer completo, ao acontecer de um jeito que o leitor quer que seja, já que esse leitor é sujeito da leitura, e é ele quem escolhe o que vai ler, ou o quando se deve ler, ou o como se ler.

Ao descobrir que ele é o sujeito da leitura de textos escritos, o indivíduo começa a se atrair por esse tipo de leitura. Passa a ter gosto por ela. Torna-se a leitura de textos escritos, para ele, hábito saudável. E o texto escrito lhe passa a ser instrumento que o leva a compreender a si mesmo e ao mundo que o cerca. Chega, então, ele a conhecer inúmeras pessoas (literatos, filósofos, intelectuais, artistas). Como também, descobre características infindas de personagens, fatos inúmeros e assuntos diversos. Enfim, viaja pelos quatro cantos do mundo, penetra na História, atravessa séculos, além de percorrer os mais variados tipos de espaço.        

A leitura de textos escritos, vista pela ótica do lazer, e não da obrigação ou da punição, traz como finalidade central o vivenciar a criação do que se lê, com um sentimento puro da beleza. E é nesse vivenciar que o leitor se torna um ser participante da cultura e do saber humano.

terça-feira, 10 de março de 2015

POEMAS: Nascer e Viagem (Francione Leandro Viana)

   
                    Nascer

Nascer do meu ventre essa semente
que colocarás no presente,
quando no futuro florescer,
estará presente no nosso coeficiente.

De amor e carinho,
jorrando para o ninho
o doce sentido do amor,
virá e crescerá consciente,
porque é fruto decente
do nosso amor, que será para sempre.

                Francione Leandro Viana



               Viagem

Sonhei
       planejei
             conspirei.
Como encontrar, e errei.
No destino e no amor,
no sorriso e na dor,
porém acertei.

Eu não acreditava
na fantasia, sem olhar
e o desejo de ficar.
Um amor que dissolveu,
como mel no breu,
logo desapareceu,
comoveu.

Afinal, o que era aquilo tudo?
Um surto com prazo de validade,
ou um golpe abortado?
Que nada, medo do passado.

Assim que o velho amor emergiu,
tudo se sumiu.
O amor, os beijos,
até mesmo o desejo.
Morreu a fantasia,
não sobrou nem a magia.

E agora, para onde foi?
A sua beleza tomou o vento e sumiu.
Ninguém nunca mais o viu. Partiu.

               Francione Leandro Viana

domingo, 8 de março de 2015

MACACO VELHO - crônica / significado de expressões populares


                                   Macaco velho

Uma vez por mês, a diretoria e os funcionários do supermercado se reuniam. Havia um grupo de cinco funcionários que metiam a mão na massa (começavam a trabalhar) para deixar tudo em ordem. Pode-se dizer que eles ficavam mais mortos do que vivos (exaustos) ao final, porém se deliciavam na organização.

Numa dessas reuniões, aconteceu o inesperado. A festinha, ocorrida após a reunião, por um fio (dependendo de muito pouco), ficou de pernas para o ar (bagunçada).

 O fato se deu assim. Ao término da comemoração dos aniversariantes do mês, Abigail, a locutora da festa, de cima de um pequeno palco, deu uma colher de chá (uma oportunidade) para qualquer um dos presentes se usarem da palavra.

Quem primeiro falou foi Dedé, o caixa mais antigo. Alguns se mostraram de narizes torcidos (aborrecidos) para com seu discurso. Na vez de dona Aparecida, a mais antiga do escritório, deu-se para notar o gerente com a testa franzida (preocupado) e com a pulga atrás da orelha (desconfiado). Ao ouvir seu Cardoso, nosso gerente, doutor Anastácio, o diretor-presidente, ficou, do começo ao fim, de orelha em pé (bem atento a algo). E, por fim, quando ninguém mais queria falar, Ambrósio, o chefe do almoxarifado, decidiu entrar na dança (participar), e foi só pra botar água em nossa cerveja (nos desagradar).   

Sem freio na língua (imprudente), sem papa na língua (estabanado), Ambrósio meteu o pau (criticou veemente), na direção do supermercado. Ele rasgou o verbo (revelou o que não deveria).

Para alguns funcionários, Ambrósio havia dado com a língua nos dentes (foi indiscreto), ao falar pelos cotovelos (em demasia). E alguém chegou a comentar que ele fizera a caveira (acusara) de um dos diretores.

O discurso de Ambrósio, na verdade, apagou o fogo (deu por terminada) da festa. Todos ficaram de bocas abertas (admirados), todos ficaram a ver navios (sem saber o que acontecera). E o bom é que o chefe do almoxarifado saiu de cena (foi embora) como se nada tivesse ocorrido de desagradável.          

Mas ninguém da festa sabia que Ambrósio só agira daquela maneira porque ele tinha pano pra manga (respaldo, apoio). Afinal, ele é macaco velho (sabido, experiente). E nunca tem duas caras (é falso). Por isso é que Ambrósio não dá com os burros nágua (não sofre qualquer fracasso). E é um dos mais queridos funcionários do supermercado.


                                       Dantas de Sousa

Literatura folclórica: QUADRINHAS (32)



                        Quem possui mesa
                        não come no chão.
                        Quem tem governo
                        não perde eleição.



                        Querer bem vai de fortuna,
                        fortuna vai de quem tem.
                        Quem não nascer com fortuna
                        não queira bem a ninguém.



                        Toda maré enche e vaza,
                        deixa a praia descoberta.
                        Vai-se um amor e vem outro:
                        nunca vi coisa tão certa.



                        Duvido haver, como este,
                        um ditado mais profundo:
                        dinheiro e mulher bonita
                        é quem governa este mundo.



                        A desgraça do pau verde
                        é ter um seco encostado.
                        Vem o fogo, queima o seco,
                        lá vai o verde queimado.



                        Com jeito, se livra o mundo
                        de tudo o jeito é capaz.
                        O caso é ajeitar-se o jeito,
                        como muita gente faz.



                        O homem que bebe e joga,
                        mulher que erra uma vez,
                        cachorro que pega bode,
                        coitadinho deles três.